LEITURA DELEITE: O Lobo e o Cão
- parceriapedagogica
- há 2 dias
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O Lobo e o Cão
Numa tarde fria e silenciosa, um lobo magro caminhava pela floresta. Suas costelas apareciam sob o pelo desgrenhado, e seus olhos, cansados, vasculhavam o chão em busca de algo — qualquer coisa — que pudesse matar a fome.
De repente, ouviu o som de passos firmes se aproximando. Quando levantou a cabeça, viu um cão de pelo brilhante e olhar tranquilo. O animal usava uma coleira lustrosa no pescoço e caminhava com a segurança de quem não teme a vida.
O lobo ficou impressionado.— Ora, amigo — disse ele, com a voz rouca —, que aparência saudável você tem! Seu pelo brilha como o luar, e suas patas parecem fortes. Como consegue viver tão bem, enquanto eu passo fome todos os dias?
O cão abanou o rabo, orgulhoso.— Ah, é simples, meu caro — respondeu ele. — Eu moro com um bom dono. Vigio a casa, cuido do quintal e, em troca, recebo comida todos os dias. Carne, ossos e até restos de pão fresco. Nunca passo frio nem fome.
Os olhos do lobo brilharam.— Isso soa maravilhoso! — exclamou. — Eu daria tudo por um pedaço de carne tenra e um descanso seguro.
O cão sorriu.— Então venha comigo! — convidou. — Meu dono certamente o acolherá. É só ser obediente e fiel.
O lobo deu alguns passos ao lado do cão, mas logo notou algo estranho. A coleira em seu pescoço deixava uma marca funda no pelo.— Diga-me — perguntou o lobo, franzindo o cenho —, o que é essa marca aí?
O cão hesitou um instante.— Ah, isto? — respondeu, rindo sem graça. — É a coleira. Às vezes fico preso à corrente durante o dia, só para não sair do quintal. Mas é por pouco tempo!
O lobo parou. Seu olhar, antes curioso, ficou sério.— Corrente? Quer dizer que você não pode correr livremente pelos campos? Nem escolher para onde ir?
— Bem… não exatamente — respondeu o cão, abaixando as orelhas. — Mas, em troca, tenho tudo o que preciso.
O lobo respirou fundo e deu um passo para trás.— Prefiro a fome e a liberdade à fartura e à corrente — disse ele, com firmeza. E, sem olhar para trás, desapareceu entre as sombras da floresta.
O cão ficou ali, observando-o partir, enquanto o vento balançava levemente seus pelos brilhantes.




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