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LEITURA DELEITE: A sopa de pedras

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SOPA DE PEDRAS


Pedro Malasartes era daqueles caras espertos que não perdem uma boa oportunidade. Um dia, ele estava encostado na porta da venda, ouvindo a conversa da galera. O assunto? Uma senhora que morava num sítio lá pros lados do rio. E olha... só falavam mal dela!

— Aquela velha é mão de vaca! Nem os cachorros dela ganham comida — disse um.

— Quando tem visita, ela conta os grãos de feijão no prato! Foi o Chico Carreteiro que falou, e ele não mente — garantiu outro.

— Misericórdia! Ela não dá nem bom-dia! — completou mais um.

Pedro só ouvindo e pensando. Até que resolveu entrar na conversa:

— Querem apostar que comigo ela vai me dar um monte de coisa, e ainda com sorriso no rosto?

— Tá maluco? Aquela mulher não dá nem risada! — disseram todos.

— Pois eu aposto que ela vai sim — insistiu Pedro. — Quanto vocês apostam?

A turma apostou alto, achando que iam ganhar fácil. Mas Pedro, que já tinha um plano na cabeça, juntou umas roupas, umas panelas, um fogãozinho, fez uma trouxinha e partiu pro sítio da velha. Era longe, mas ele foi firme — aposta é aposta!

Chegando lá, ele se instalou perto da porteira, bem à vista. Esperou a velha notar. Quando viu que ela estava de olho, armou o fogãozinho, encheu a panela com água e acendeu o fogo. E ficou o dia inteiro cozinhando... água!

A velha só espiando da janela. E a panela lá, soltando fumaça.

Pedro atiçava o fogo, como se estivesse fazendo um banquete. Até que a velha, curiosa demais, não aguentou. Saiu de casa e veio se aproximando devagarzinho.

Pedro pensou: “É agora!”

Pegou umas pedras do chão, lavou bem e jogou na panela. E continuou atiçando o fogo.

A velha não se conteve:

— Ei, moço... tá cozinhando pedra?

— Isso mesmo, dona! Tô fazendo uma sopa!

— Sopa de pedra?! Ah, essa é nova! Onde já se viu?

— Pois é, mas fica uma delícia!

— Demora pra cozinhar?

— Demora um pouquinho...

— E dá pra comer?

— Claro! A senhora acha que eu ia perder tempo à toa?

A velha olhava pras pedras, olhava pro Pedro. E ele lá, firme no fogão.

— Essa sopa é gostosa mesmo?

— É sim! Mas fica melhor com um temperinho...

— Ah, isso eu tenho! Vou buscar!

Ela voltou com cebola, cheiro verde, sal com alho.

— Tomate a senhora tem?

— Tenho sim! — e trouxe três bem maduros.

Pedro jogou tudo na panela, junto com as pedras. E atiçou o fogo.

— Vai ficar top! Mas se tivesse um courinho de porco...

— Tenho lá em casa! — disse a velha, animada, e foi buscar.

Couro na panela, lenha no fogo, e a velha já estava sentada, só esperando.

— Não precisa mais nada?

— Olha... se tivesse umas batatas, um pouco de macarrão...

— Pode deixar que eu pego!

Ela voltou com tudo. Pedro colocou na panela e acelerou o fogo pro macarrão cozinhar logo. A velha já estava com água na boca!

— Hmm... tá cheirando bem! Será que as pedras já amoleceram?

Pedro, em vez de responder, mandou:

— A senhora não tem uma linguicinha defumada? Ia ficar perfeito!

Lá foi ela buscar a linguiça.

Cozinha que cozinha, a sopa ficou pronta. Pedro pediu dois pratos e talheres. A velha trouxe.

Ele encheu os pratos, deu um pra ela, separou as pedras e jogou no mato.

— Ué, moço... não vai comer as pedras?

— Tá doida? Eu lá tenho dente de ferro?

E saiu rapidinho, direto pra venda, pra cobrar a aposta!

 
 
 

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